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 | 11/12/2008 15h14min

Segundo Dilma Rousseff, Lula determinou revisão de juros no BB e na Caixa

Ministra diz que governo não trabalha com nenhuma meta cambial e o principal objetivo é que o câmbio fique estável

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira, em palestra, que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está preocupado com o aumento dos juros "cobrados na ponta" e determinou que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF) façam uma revisão das taxas que estão cobrando.

Em entrevista, a ministra explicou que o objetivo do governo é fazer o possível para reduzir o custo de capital e aumentar o volume de crédito.

— Me refiro ao spread (diferença entre a taxa de juros de captação e de empréstimo dos bancos) — disse ela, ao ser indagada sobre a determinação presidencial aos bancos públicos.

Segundo a ministra, "como não há aumento no custo de captação, não faz sentido uma cobrança de juros acima do que se fazia antes (da crise internacional)." O governo quer uma explicação de quais são as razões técnicas "de spreads tão elevados". Ela acrescentou que "o medo não é técnico e obter maior lucratividade em cima da retração brasileira não é correto." A ministra disse ainda que o presidente Lula pediu uma explicação ao BB e a Caixa sobre os juros cobrados e "determinou uma política mais condizente com razões técnicas para os juros nos bancos públicos".

Indagada se o objetivo governamental não é incoerente com a decisão tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) de manutenção da taxa básica de juros, a Selic, a ministra limitou-se a dizer que não comenta decisões de política monetária. Investimentos Dilma afirmou que o governo vai "manter os investimentos intactos" apesar da crise. Segundo ela, o governo brasileiro considera a crise muito grave e maior do que a de 1929, mas ao contrário do que ocorria antes, "o Estado não está quebrado".

Citando as reservas brasileiras e o fato de que o país é hoje um credor líquido, a ministra garantiu que o governo tem capacidade de "agir diante da crise, com instrumentos de política fiscal e monetária, e terá condições de fazer frente às turbulências". Segundo ela, um dos principais objetivos do governo é ampliar o crédito.

— As doenças se transmitem pelo sangue e pela saliva. Esta crise é pelo crédito — afirmou, em palestra durante evento na Fiocruz, que está comemorando 90 anos de criação do Serviço de Medicamentos Oficiais do Brasil.

— Nós queremos ampliar o crédito, reduzir o custo de capital, aumentar a capacidade de investimento e vamos manter o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), assegurar o investimentos no pré-sal, e manter os programas sociais — disse Dilma.

A ministra afirmou ainda acreditar que o dólar deve se estabilizar entre R$ 2 e R$ 2,50, mas explicou depois que o governo não trabalha com nenhuma meta cambial e o principal objetivo é que o câmbio fique estável.

Entenda a crise

Agência Estado
 
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