| 22/10/2008 14h18min
Líderes de partidos de oposição reagiram negativamente à edição da Medida Provisória (MP) 443, que permite ao Banco do Brasil (BB) e à Caixa Econômica Federal (CEF) estatizarem instituições financeiras em dificuldades. Diferentemente da reação à MP 442 — que ampliou os poderes do Banco Central (BC) no socorro a bancos com problemas e teve apoio da oposição desde o início —, desta vez os oposicionistas afirmam que o governo terá dificuldades para aprovar a medida no Congresso.
Líderes da oposição já estão elaborando um requerimento, que deverá ser formalizado ainda nesta quarta-feira, de criação de uma comissão externa para acompanhar as operações do BB e da Caixa autorizadas pela MP 443. Líderes de oposição afirmaram que o governo está "escondendo a verdade" e agindo com "dissimulação" e com "desrespeito" ao Congresso.
Há um sentimento de terem sido enganados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que
ontem debateram durante seis
horas e dezenove minutos a crise financeira internacional no plenário da Câmara e não mencionaram a edição da MP 443. A surpresa saiu no Diário Oficial de hoje.
— A oposição quer colaborar, mas vamos fazer emendas — anunciou o líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC).
— A primeira MP (442) trata da questão da liquidez (do mercado), que é mais tranqüila. Essa segunda MP (a 443) coloca dinheiro público em bancos, e haverá prejuízo para o contribuinte — criticou o líder do PPS.
E, referindo-se à tramitação da MP 443, previu:
— Vai ter dificuldade maior.
O líder do PPS está elaborando o requerimento de criação de comissão externa, que deverá ser apoiado por outros partidos de oposição.
— Queremos acompanhar de perto essas negociações para saber que nível de mico o governo vai pegar — afirmou Coruja.
Outro que foi enfático na reclamação e na crítica foi o líder
do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP):
— É uma desconsideração
inaceitável com o Parlamento, que tem a responsabilidade de votar a medida provisória. O governo não quer fazer o jogo da verdade, mas da enganação, da dissimulação. Não quer compartilhar a conversa e o debate da crise. Omitiram o fato do Parlamento. Entraram na contramão — disse Aníbal.
Confiança
Hoje pela manhã, o líder tucano reclamou com o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Segundo Aníbal, Chinaglia já teria conversado por telefone com Mantega e telefonado para Meirelles, mas não teria encontrado o presidente do BC. Aníbal lembrou que, por algum tempo, Meirelles deixou a sessão de ontem da Câmara para ir ao BC.
— Ele foi finalizar essa MP e foi incapaz de nos dizer. Que confiança poderemos ter agora com Mantega e com Meirelles? — reclamou Aníbal.
Ressaltou que os dois deixaram a Câmara quando o mercado já estava fechado, ou seja, a revelação não causaria impacto no sistema
financeiro. A sessão de ontem em que foi debatida a crise
começou às 14h59min e terminou às 21h43min. Houve uma suspensão por 25 minutos. Fernando Coruja disse que Meirelles e Mantega omitiram a MP mesmo ante uma pergunta explícita sobre o assunto na sessão de ontem.
— Eles negaram às 20h e editaram a MP às 21h. É um pouco de desrespeito e um grande motivo para nos preocuparmos — disse Coruja.
Ele afirmou que esse fato mostra que o governo está tentando passar uma visão otimista que é falsa.
— Fica evidente que a crise contaminou o Brasil, e esse descolamento que o governo pretende passar não é verdade — afirmou Coruja.
Entenda a crise
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