| 26/01/2009 03h51min
Acuada pela atuação do governo italiano, a primeira-dama da França, Carla Bruni, negou ter intercedido junto ao governo brasileiro para que o ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti recebesse a condição de refugiado político. No sábado, um membro do governo italiano acusou Carla e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, de pressionarem o Brasil a favorecer Battisti.
Ontem, em entrevista à emissora italiana RAI, Carla Bruni chamou a acusação de “calúnia” e negou qualquer tipo de envolvimento no caso e com Battisti, condenado a prisão perpétua na Itália.
– Não tive nenhum papel, absolutamente não, e estou muito surpresa com o modo como este boato cresceu. Jamais defendi Battisti e estou contente de poder responder a essa pergunta e poder dizer isso também aos familiares das vítimas – disse a primeira-dama da França.
No sábado, o subsecretário de Relações Exteriores da Itália, Alfredo Mantica, acusou o casal presidencial francês de estar
envolvido no caso.
– Já está claro
que as pressões sobre o presidente brasileiro no caso Battisti foram feitas por Sarkozy – afirmou, citando ainda a suposta participação de Carla Bruni no episódio.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, havia antecipado em entrevista a Zero Hora, publicada em 17 de janeiro, que Carla havia intercedido junto a ele para evitar a extradição de Battisti. Na Itália, informações relativas ao envolvimento de Sarkozy e de sua mulher ganharam corpo a partir de declarações do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ao jornal italiano Corriere della Sera. Segundo o senador, Bruni é amiga da escritora francesa Fred Vargas, que fez campanha para evitar a prisão de Battisti.
Mulher de Sarkozy disse não ter poder para interceder
A primeira-dama, na entrevista à RAI, disse acreditar que os boatos tenham surgido por causa de sua viagem ao Brasil em dezembro:
– Não vejo como alguém possa pensar que a mulher de um presidente possa falar dessas
coisas com o presidente de um outro Estado.
A carta
enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em resposta ao colega italiano, Giorgio Napolitano, ainda repercute na Europa. Mantica disse que o caso abre uma “fratura grande” entre os dois países. Para ele, a carta de Lula explicando o ato em relação a Battisti é “ainda mais ofensiva ao povo italiano”. Para a primeira-dama francesa, críticas ainda mais fortes:
– Ela diz se sentir orgulhosa de não ser mais italiana, nós respondemos que estamos orgulhosos de que ela não seja mais italiana. E que a França tenha acolhido uma senhora como ela.
Carla havia declarado que não se sentia italiana ao avaliar o governo do primeiro-ministro de seu país natal, Silvio Berlusconi.
Em Belém do Pará, o juiz e procurador da República na Itália Giancarlo Capaldo igualmente criticou a decisão de conceder refúgio político ao ex-militante, condenado na Itália por quatro homicídios. A crítica foi feita ontem durante o Fórum Mundial de Juízes. De acordo com Capaldo, que
é conhecido pela defesa de presos
políticos italianos na América do Sul, a concessão de refúgio a Battisti pode ser comparada à falta de colaboração da Justiça brasileira com a investigação sobre o desaparecimento de cidadãos italianos durante a Operação Condor.
– Ele foi condenado na Itália com todas as garantias constitucionais. O processo garantiu 100% de legalidade, ele pode se defender – afirmou.
"Estou muito surpresa com o modo como este boato cresceu", disse Carla Bruni
Foto:
Ricardo Moraes, AP
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