| 04/05/2010 12h46min
Demitido após dois empates e uma derrota no começo do segundo turno do Catarinense, o técnico Sergio Ramírez não esconde o descontentamento por ter sido mandado embora do Tricolor. Em entrevista por telefone, ele garantiu que se tivesse permanecido no cargo, as chances de o time ter conquistado o campeonato seriam muito maiores.
De acordo com ele, tudo o que os jogadores precisavam era de tranquilidade, mas a pressão que se criou foi uma barreira para os atletas. Sondado por alguns times catarinenses, o técnico admite que só depois da Copa do Mundo algo deve ser concretizado.
Confira o que disse Ramírez em entrevista ao jornal A Notícia:
A Notícia (AN) — Onde foi que o JEC errou neste campeonato?
Sergio Ramírez – Errou por ter me mandado embora sem motivo algum. Os números que tenho aí comprovam isso. Nunca tinha perdido na Arena, ganhei tudo que disputei e aí me mandam embora. Parece que não queriam ser campeões catarinenses. Dei lucro e me dediquei 100 %. Empatei dois jogos no segundo turno e perdi um e me mandaram embora. Se eu tivesse ficado, tenho convicção de que seria campeão.
AN — Analisando hoje, teria feito algo diferente no torneio?
Ramírez – Tínhamos que ter contratado alguns reforços que eram necessários, principalmente no meio e na defesa. Mas o mais importante de tudo era poder dar tranquilidade ao grupo. Esse grupo é bom, o que eles precisam é de moral. A pressão é muito grande pra ser campeão e isso se torna uma barreira. Além disso, há um imediatismo que é necessário saber como administrar.
AN — O que pensa da política de contratações do JEC? O que precisaria mudar?
Ramírez — Há alguém que admiro e respeito muito que é o Nereu Martinelli. Ele é uma pessoa coerente e entende de futebol. Quando se vai pela cabeça dele, as coisas tendem a dar certo. Ele fazia contratações corretíssimas porque entendia de futebol. Eu também indiquei alguns jogadores, como o Tesser e o Elton, mas tudo em acordo com ele. Neste aspecto, nunca houve confusão.
AN — De que forma a rotatividade de treinadores prejudica o time?
Ramírez — Ficou demonstrado com minha permanência de 11 meses aí que é importante manter o projeto. Havia muitos jornalistas de rádio e de TV que questionaram o meu trabalho, mas o Nereu aguentou e me manteve. Conquistamos a Copa Santa Catarina, fomos campeões da Recopa Sul-brasileira e vencemos o primeiro turno do estadual. Mas então eles contratam um colega, que depois sai e chamam outro. Aí não dá certo mesmo. Tem que administrar essa pressão, que é prejudicial.