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 | 22/12/2006 12h29min

Simulação prevê 62 milhões de mortes em pandemia de gripe aviária

Estudo analisa conseqüências caso a doença se espalhe entre humanos

Se uma pandemia de gripe como a ocorrida em 1918, que matou cerca de 40 milhões de pessoas, acontecesse hoje, o número de mortos poderia ficar em torno dos 62 milhões, segundo um estudo publicado nesta semana na revista The Lancet.

Um grupo de acadêmicos da Universidade de Harvard (EUA) utilizou índices de mortalidade da época da "gripe espanhola" (1918-20) para calcular a incidência que um vírus da mesma força poderia ter atualmente.

Segundo esses cálculos, uma grande pandemia de gripe poderia deixar hoje entre 51 e 81 milhões de mortos, com média de 62 milhões.

Os especialistas, dirigidos pelo professor Christopher Murray, elaboraram seu estudo com o objetivo de oferecer uma estimativa do efeito que a gripe aviária poderia ter na humanidade, considerando que poderia ser a causa da próxima grande pandemia, segundo alguns consideram.

Tomando como referência a gripe de 1918, os cientistas colocaram-se no pior dos casos, já que, em anos posteriores - como em 1957 e 1968 -, houve outros episódios de pandemia virótica muito menos devastadores, com um total de 3 milhões de mortos no mundo todo.

Para fazer as estimativas, os pesquisadores examinaram registros de óbito de 1914 a 1923, e encontraram informações suficientes de 27 países, entre eles os Estados Unidos e a Índia.

Os pesquisadores compararam o número de mortes durante a "gripe espanhola" com a média de mortes nos anos anteriores e posteriores, o que indicou a incidência que o vírus teve nos níveis de mortalidade, número conhecido como "excedente de mortalidade". Depois, aplicaram esse "excedente de mortalidade" a dados da população de 2004.

Se a média que obtiveram de 62 milhões de mortes ocorresse em um só ano, o índice global de mortalidade dispararia em 114%, indicam os acadêmicos.

Uma das constatações mais surpreendentes dos pesquisadores é que haveria uma grande variação na incidência de uma pandemia em diferentes países, dependendo de seus recursos: segundo seus cálculos, 96% das mortes ocorreria no mundo em desenvolvimento.

– Isso nos indica que não é só a composição genética do vírus que causaria as mortes, interviriam muitos outros fatores – afirmam os cientistas no The Lancet.

Caso sejam identificados esses múltiplos fatores - entre os quais seria preciso considerar a densidade de população ou o status nutricional e imunológico - e com a adoção de remédios, poderia amenizar-se os efeitos de uma catástrofe, afirma Murray.

Desde que veio à tona a ameaça da gripe aviária, que matou 154 pessoas, principalmente na China e no sudeste asiático, a maioria dos países elaborou planos de contingência caso o vírus H5N1 comece a ser transmitido entre humanos e provocar uma pandemia.

Atualmente, os remédios disponíveis - como antivirais e antibióticos - são muito melhores que em 1918, o que contribuiria para conter o vírus.

No entanto, afirmam os especialistas, é preciso perguntar o que aconteceria nos países pobres e como uma pandemia afetaria as 35 milhões de pessoas que têm Aids no mundo, a maioria em nações pobres.

AGÊNCIA EFE
 
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