A pessoa chega ao bar onde tem uma mesa reservada no nome dela. A pessoa resolve mandar um torpedo avisando uma amiga que já está lá. Ao mesmo tempo, a pessoa larga a bolsa nas costas da cadeira e começa a se sentar. Só que a bolsa da pessoa derruba a cadeira, e a ausência do assento da cadeira no lugar esperado derruba a pessoa no chão. Em câmera lenta. Como é esperado de todo tombo que resulta apenas num grande mico.
- A senhora machucou alguma coisa? - pergunta o garçom, solícito.
- Só a dignidade.
Chega de Saudade é uma grande reunião de craques. O elenco é excelente, a trilha, bárbara, o filme da Laís Bodanzky, uma delícia. A Tônia Carrero, o Stepan Nercessian, o Paulo Vilhena, a Maria Flor, a Betty Faria, a Cássia Kiss e todo o enorme elenco – incluindo o vozeirão de Marku Ribas - fazem valer a pena cada minuto diante da TV. Dá vontade de sair dançando.
E faz pensar se a gente está realmente aproveitando o que devia aproveitar.
Estava esperando no bar da firma para pedir um suco e um sanduíche quando ouço a querida da Helena, que trabalha no Marketing, pedir:
- Um iogurte de chocolate, por favor.
Olhei curiosa. Nunca tinha visto um iogurte de chocolate.
- É este, o Chandele - ela completou.
Tive que rir. Aliás, tivemos que rir. Foi a melhor maneira que já vi de se auto-enganar sobre a própria dieta. Porque, pensem bem, quando alguém perguntasse o que ela tinha comido no café da manhã, a resposta seria das mais lights possíveis:
- Ah, só um iogurte.
Gostei. Vou adotar.
– Vocês têm suco natural?
- De abacaxi.
- Com hortelã?
- Sim.
- Eu quero um, por favor.
*
- Moço, este suco está com gosto de pasta de dente. O hortelã é em folha?
- Não. É licor de menta.
Vocês não acham que "desvaziar" é muito melhor do que "esvaziar"?
Eu acho.
O Márcio atualizou o blog!
Hoje foi dia de fazer post pra um vizinho. No Dando as Caras, blog do projeto Caras Novas deste ano, está a minha contribuição como "cara velha".
Dá um pulo lá e aproveita para conferir os posts da moçada que está entrando nesta vida agora.
Será que custa tanto assim introjetar a regrinha básica segundo a qual o verbo haver não varia quando é usado com o sentido de ter/existir? Porque é uma coisa que me incomoda deveras. Principalmente quando cometida por autoridades, senadores, deputados, enfim, pessoas que, teoricamente, têm no vernáculo uma importante ferramenta de trabalho.
Gente, assim ó: nunca houveram nem haverão essas coisas. Nunca. Custa aprender pelo menos isso?
Pela atenção, obrigada.
Certas coisas não precisam de motivos para serem revisitadas. O Poderoso Chefão é certamente uma delas. Neste fim de semana, assistimos aos dois primeiros e ao DVD de extras. Again, como diria Forrest Gump.
Há quanto tempo você não revê essas obras-primas?
Fui ver o show pela terceira vez. Na segunda, usei a desculpa de levar a minha mãe. Ontem, a justificativa era mostrar o espetáculo para a minha irmã. Nas três vezes, saí do teatro com um enorme sorriso no rosto, a alma leve e algumas certezas: (1) o Nico é um baita showman, (2) Onde está o amor? precisa integrar a discoteca de quem curte boa música pop e (3) o resto do Brasil está marcando passo ao demorar para descobrir que Nico Nicolaiewsky é muito mais do que o já genial maestro Pletskaya.
Para quem a minha palavra apenas não basta, sugiro uma olhadinha nos posts da Martha Medeiros e da Clarah Averbuck sobre o show.
Corre, que ainda deve ter ingressos à venda no Theatro São Pedro para a sessão de hoje, às 19h. Mas corre mesmo, porque ontem a casa estava lotada.
Tenho uma tese sobre os pardais, principalmente os que estão nas grandes avenidas e multam quem passa a mais de 60 km/h, velocidade mais do que razoável para andar dentro da cidade. Tenho a idéia de que, mais do que multar quem passa por eles a 70 km/h ou mais, esses pardais deviam punir principalmente os que passam a menos de 40 km/h. Porque é batata: a criatura vem pisando fundo o tempo todo, costurando, fazendo barbaridades. É justamente esse tipo de gente que chega na frente do pardal, mete o pé no freio - quase provocando um acidente com quem vem atrás a 60 - e passa feito uma lesma.
Não faz sentido?
Para quem, como eu, não costuma viajar muito, os últimos quatro meses foram dos mais atípicos. Em maio/junho, passei 18 dias viajando pela Califórnia, onde a minha irmã estava morando. Agora, de 19 de julho a 3 de agosto, dediquei meus dias a conhecer alguns pontos do velho mundo. Em Portugal, foram três noites em Lisboa e duas no Porto, na Espanha, quatro noites em Vigo e, para encerrar com chave de ouro, quatro noites em Paris.
Sempre impliquei com a mania que o Márcio tem de dizer que não gosta de viajar. Sempre achei que isso não pode ser exatamente verdade, já que ele viaja, sim, principalmente comigo. E a idéia de uma ida ao Rio de Janeiro, a Buenos Aires e a São Paulo costuma sempre ser bem recebida por ele. Eis que depois dessas duas experiências supracitadas acho que entendo melhor o que ele quer dizer e posso afirmar sem medo de me arrepender depois: eu também não gosto de viajar.
Não me entenda mal, eu tenho necessidade de viajar. Adoro conhecer novos lugares, ouvir e falar línguas diferentes da minha, ver luzes novas, sentir sabores e cheiros inéditos - as ruas de São Francisco têm um cheiro muito específico que ainda não consegui definir direito -, mas o processo todo de fazer-mala-ficar-em-aeroporto-voar-dormir-em-hotéis é realmente chato, muito chato. Nesse sentido, descobri que também eu não gosto de viajar. Tenho uma alma não-viajante, fazer o quê.
Vai que daí me veio uma idéia. Livros e blogs para viajantes e turistas há vários e muitos muito bons, como o Ida & Volta da minha amiga Tatiana Klix e o Viaje na Viagem do Ricardo Freire. Vou fazer um guia de viagem e turismo para não-viajantes. Porque viajar é preciso, mas, por exemplo, tem coisas que um não viajante não lê nesses guias apaixonados por viagem.
Você sabia, por exemplo, que um não-viajante, aquele ser que considera a própria casa o melhor lugar do universo, não deveria jamais ficar mais de 10 dias viajando? Pois é. Esta é a primeira dica do meu guia, que ainda não existe, mas começa assim. Porque depois do décimo dia, o turista de meia-pataca começa a contar quantas noites ainda falta dormir para voltar para casa.
Tem também o capítulo que fala de compras. Porque o não-viajante é implicante e, internauta, deixa de comprar quase tudo porque, afinal, sempre pode encomendar pela Amazon. E também se irrita um pouco com o fato de que tudo é Made in China e, well, pode facilmente ser encontrado em São Paulo ou Buenos Aires, que estão, no caso da não-viajante moradora de Porto Alegre, a menos de duas horas de vôo.
O amigo leitor - provavelmente viajante, já que os não-viajantes somos poucos ou ao menos temos vergonha de assumir esse nosso lado jeca e preguiçoso - deve estar pensando: mas por que essa criatura viaja, por Deus? Viajo porque preciso. Porque viajar areja as idéias, nos tira da zona de conforto, nos mostra o quanto não estamos no controle das situações e tudo o mais. Porque às vezes viajar é a única maneira de crescer profissional e pessoalmente. Mas, ai de mim, que inveja da Tati e do Riq, que fazem tudo isso que para mim é tão complicado com prazer absoluto.
*
Aos poucos espero conseguir botar aqui algumas das lembranças desta mais recente viagem. Mas eu queria fazer essa confissão antes.
Então que hoje eu recebo o contracheque e, junto com ele, um cartão dizendo:
Por ter me ensinado tantas coisas.
Por me cobrir à noite.
Por ter acabado com os monstros do escuro.
Por ter me ajudado com a lição de casa.
Por seu talão de cheques estar sempre ocupado em meu benefício.
Por nunca dormir tranqüilo enquanto eu não chegava em casa...
Você ganhou um nome próprio...
... meu pai!
Como explicar ao computador que determinou que eu recebesse esse cartão que, considerando que não sou pai - nem poderia ser - e considerando que meu pai se foi há mais de doze anos e eu prefiro não lembrar que no segundo domingo de agosto eu não vou ter para quem dar um presente eu preferiria não receber o tal cartão?
Se tivessem me contado, eu não acreditaria, mas aconteceu comigo, e eu perguntei duas vezes para ter certeza de que tinha escutado direito.
Quando estive na Califórnia, em maio, comprei um belo par de óculos escuros da Calvin Klein. Há duas semanas, pus lentes de grau no querido para poder usá-lo nesta viagem que faço agora. Na quarta-feira, o Márcio pisou no pobrezinho (sem querer, é claro), que havia caído no chão do carro. Resultado: uma haste caiu, quebrando a dobradiça bem na parte que liga a haste ao - chamemos assim - corpo dos óculos.
Daí que fui a uma óptica que tinha bem perto do nosso hotel no Porto e perguntei se tinha conserto. A resposta:
- A haste está boa, mas a senhora vai ter que comprar uma parte da frente nova para aproveitá-la.
*
Ah, sim, os óculos têm conserto, como vim a descobrir na óptica seguinte. Só que como não dá para fazer na hora, deixarei a arrumação para Porto Alegre.
Na terra das telefônicas, acessar a Internet é uma das coisas mais caras do mundo. Quando voltar para casa, prometo fazer um relato bacana, com direito a fotos e tudo. Por enquanto, vou ficando ausente deste humilde espaço.
Volto logo :-)
Cássia Zanon
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